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Arte inclusiva: oficinas e projetos culturais para transcender todos os sentidos

24 de Setembro de 2018 | Música Inclusão Aulas

Reprodução

A arte, há tempos, é utilizada como uma importante ferramenta de inclusão, seja para a quebra de barreiras sociais, econômicas ou físicas. No intuito de promover a aproximação de mecanismos artísticos a pessoas com algum tipo de limitação física, projetos no Recife são realizados para democratizar e tornar a arte mais acessível.

Muito além da mera participação, as iniciativas trabalham as potencialidades e, principalmente, a confiança das pessoas que participam e provam que é possível existir uma relação entre música e surdos ou teatro e cegos, algo que pode parecer distante para muitos. "A música transcende o ouvir. É mais do que o sentido, mais do que escutar. A música proporciona emoções, e o surdo pode sentir as emoções também", é o que afirma Joana Nantes, uma das produtoras da oficina de música para surdos "Vivências - Música é para sentir".

Realizada há poucos dias na Caixa Cultural, a oficina gratuita buscou sensibilizar o público surdo para a percepção dos sons através do corpo, estimular a prática sonora e o seu contato no cotidiano, ampliar o campo de atuação do surdo dentro da área da percepção dos sons e criar público para o campo musical e para a experimentação sonora nas artes. Irton da Silva, também conhecido como Batman Griô, que está à frente do projeto Som da Pele, já realiza um trabalho de teoria musical com surdos, e ministrou as aulas para estudantes de escolas da Rede Pública estadual e pessoas inscritas.

"É muito gratificante promover a inclusão através da música. Desde o início da minha trajetória na educação, busquei investigar a forma como a prática musical pode promover transformação social na comunidade surda. Não precisa ouvir pra tocar, precisa só querer sentir e se divertir. É incrível como isso muda a percepção que eles têm deles mesmos, de onde querem e de onde podem chegar. É sensacional".

Buscando a inserção de outro grupo no meio artístico, o projeto "Teatro em Livro", desenvolvido por Rosália Calsavara e Moisés Neto, busca estreitar os laços entre o teatro e os cegos. "Não é teatro só para cegos. É despertar as sensações a partir de uma literatura mais dramática. Buscamos trabalhar sensações que ajudem na compreensão da história, uma peça que não se enxergue, mas que se possa imaginar", afirma Rosália. Para Moisés, o livro, além de proporcionar a inclusão, propõe um desafio de procurar novos meios de fazer teatro para pessoas cegas.

"Falamos muito sobre audiodescrição, mas esse não é o único recurso disponível. Escrevemos uma peça especialmente para esse público. Para isso, a gente estudou como fazer, pegando dicas com o pessoal da Associação Pernambucana de Cegos. O texto precisa ser escrito de um modo diferenciado. As cenas precisam ter poucos atores, com vozes bem distintas, para que o espectador consiga diferenciar cada personagem que está falando”, conta Moisés.

O lançamento do musical “Sonho de Primavera”, transcrito em braile e transposto em áudio, ocorre nesta terça-feira (25), às 16h, na Biblioteca Pública Estadual (rua João Lira, s/n, Santo Amaro), com recital de poesia e bate-papo com os autores.

Seguindo o caminho de ampliação da acessibilidade, a Cinemateca Pernambucana, localizada na Fundação Joaquim Nabuco, em Casa Forte, adaptou o seu espaço físico para receber pessoas cegas, de baixa visão, surdas e ensurdecidas. Também a partir desta terça-feira (25), o local contará com piso táteis e visitas guiadas com audiodescrição e Libras, levando pessoas com deficiências sensoriais a desfrutar de todo o conteúdo disponível do acervo.

 Alumiar

Os pisos táteis são baseados em ressaltos, com geometria definida - à semelhança da Linguagem Braile, que podem ser sentidos pelo tato e traduzidos em informação para  quem caminha sobre eles (ou a partir de bengalas e as próteses mais modernas que também são capazes de transmitir a informação).

Além do elevador que dá acesso à Cinemateca, a instalação do piso especial possibilitará que pessoas cegas, com baixa visão e mobilidade reduzida se orientem e locomovam com independência por todo ambiente. A inauguração ainda contará com uma programação especial.

Às 14h30, ocorrerá uma visita guiada com audiodescrição e Libras pelo espaço, e às 15h30, a Sessão Alumiar exibe com audiodescrição, Libras e legendas para surdos e ensurdecidos, o longa nacional "Colegas", de Marcelo Galvão. O evento será gratuito e aberto ao público.

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Fonte: https://www.folhape.com.br/diversao/diversao/geral/2018/09/25/NWS,82347,71,480,DIVERSAO,2330-ARTE-INCLUSIVA-OFICINAS-PROJETOS-CULTURAIS-PARA-TRANSCENDER-TODOS-SENTIDOS.aspx